domingo, 23 de outubro de 2011

UM BONDE CHAMADO DESEJO (FRAGMENTO)


STELLA - Então você não acha que a sua atitude superior está um pouquinho fora de lugar?

BLANCHE - Eu não estou sendo nem me sentindo superior, absolutamente, Stella. Acredite-me, não estou! É só isso. É assim que eu vejo isso. Com um homem como Stanley, a gente sai uma, duas, três vezes quando está com o diabo no corpo. Mas viver com ele? Ter um filho dele?

STELLA - Já disse a você que o amo.

BLANCHE - Então tremo de medo, por você! E... Tremo de medo por você...

STELLA - Não posso impedir que você trema. Se insiste em tremer... (Pausa).

BLANCHE - Stella, posso falar... Francamente?

STELLA - Sim, pode. Vá em frente. Com a maior franqueza.

(Fora, um trem se aproxima. Elas ficam em silêncio até que o ruído se extingüa. Ambas estão no quarto. Sob a proteção do barulho do trem, Stanley entra, vindo de fora. Ele fica, sem ser visto pelas mulheres, segurando alguns pacotes nos braços, e ouve por acaso a conversa que se segue. Ele usa uma camiseta e calças de pano leve, riscado de azul e branco, e sujas da graxa).

BLANCHE – Bem, com licença da má palavra, ele é ordinário!

STELLA - Ora, sim, suponho que sim.

BLANCHE - Supõe! Você não pode ter esquecido tanto assim a educação que recebeu Stella, para estar só supondo que exista qualquer indício de cavalheiro na natureza desse homem! Nem sequer uma partícula, não! Oh, se ele fosse apenas... Comum! Apenas simples... E bom e saudável, mas, não. Existe alguma coisa francamente bestial nele! Você está me odiando por dizer isso, não está? (friamente) em frente e diga tudo, Blanche. Ele age como um animal. Tem hábitos de animal. Come, fala, anda como um animal. Há nele qualquer coisa de subumano, qualquer coisa de gorila como nesses quadros antropológicos que a gente vê por aí. Milhares e milhares de anos se passaram e aí está ele: Stanley Kowalski, o único sobrevivente da Idade da Pedra trazendo para casa a carne fresca da matança da floresta! E você... Você aqui... Esperando por ele? Talvez ele a ataque ou talvez grunha e beije você! Isto é, se já tiver descoberto o beijo. A noite cai e os outros gorilas se reúnem lá na cova da frente, todos grunhindo, bebendo; estraçalhando-se com ele. A sua "noite de prazer" como você chama a sua reunião de gorilas! Alguém rosna... Alguma criatura bota a mão em alguma coisa... E lá vem a briga! Meu Deus, Stella, talvez nós estejamos muito longe de sermos feitos à imagem de Deus. Mas, Stella, minha irmã, houve algum progresso no mundo desde então. Coisas como a arte, a poesia, a música, uma espécie de nova luz apareceu... Em algumas pessoas sentimentos mais nobres começaram a surgir... E são esses sentimentos que devemos cultivar. E fazer com que eles cresçam em nós, e agarrarmo-nos a eles, e fazer deles a nossa bandeira, nossa marcha escura, para onde quer que estejamos indo... Não, Stella. Não fique para trás com os brutos.

(Outro trem passa lá fora. Stanley hesita, lambendo os lábios. Então, subitamente ele se volta, furtivo, e se afasta da porta ao frente. As mulheres ainda não perceberam sua presença. Quando o trem termina de passar, ele chama através da porta da frente, que está fechada).

STANLEY - Ei, Stella!

STELLA (que esteve ouvindo Blanche atentamente) - Stanley!

BLANCHE - Stella, eu...

(Mas Stella já se foi para a porta da frente. Stanley entra descuidado, com seus pacotes).

STANLEY - Olá, Stella, Blanche voltou?

STELLA - Sim, ela voltou.

STANLEY - Olá, Blanche. (Sorri ironicamente para ela).

STELLA - Você deve ter entrado embaixo do carro.

STANLEY - Os malditos mecânicos do Fritz não sabem distinguir o rabo deles de... Eh!

(Stella o abraça com ambos os braços, com paixão, e bem à vista de Blanche. Ele ri e aperta a cabeça dela contra a sua. Por cima da cabeça dela ele ri ironicamente para Blanche através das cortinas. Enquanto as luzes vão diminuindo com uma luminosidade que permanece mostrando o abraço dos dois, a música do piano “blue”, com trompete e bateria, se faz ouvir).

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

‎"A internet não é um ciberespaço monolítico ou "não-lugar". Em vez disso, ele é constituído por inúmeras novas tecnologias, utilizadas por diversas pessoas em muitas locações do mundo real. Consequentemente, há muito a ser ganho por uma abordagem etnográfica, atrrvés da investigação de como as tecnologias da Internet estão sendo compreendidas e assimiladas em algum lugar em particular (Miller & Slater,2001, p. 1).

domingo, 16 de outubro de 2011

FILOSOFIA DO ORÁCULO

***
(Em forma de Poesia)

Narra a lenda que quem consultasse o oráculo, seu destino estaria traçado. Assim fez Édipo anteriormente e toda a tragédia chegou ao final. A sabedoria do Rei e de todos, o desvencilhar da trama, mostra que a sabedoria excessiva, tentar controlar o destino é fora da medida, é algo contrário às leis da natureza, a verdade destas vidas se revela já conhecida, ou pronta a se desvelar – vir à mostra.
A figura do adivinho ou a verdade através da revelação, o querer saber a todo custo, o revelar os enigmas: significam um ato contrário às leis da natureza, à naturalidade, ao bom andamento de nossa existência.
A procura, o encontro, a busca incessante, o usar de todas as forças para contrariar o que vem acontecendo, o homem se mostra divino, feito um deus, o herói do seu destino ou dos protagonistas de qualquer história...
A ficção deixa de existir, a verdade que se revela, cega os protagonistas. Os atores da vida vêem a verdade nua: desvelada e posta à mostra, dos pés à cabeça...
O oráculo nada mais é que essa vontade de saber, de conhecer para agir, de controlar os acontecimentos, de ter a verdade a todo custo. Mas ele diz veladamente, com simbolismo, com luz e trevas, com argúcia, pondo à mostra toda ignorância anterior...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

SUCESSO!

Os sociólogos americanos quando enfocam diversos grupos sociais presentes em instituições políticas, grupos econômicos com agentes sociais, certos indivíduos atuando em espaços públicos, carreiras que os atuantes desempenham funções múltiplas – os sociólogos quanto ao desempenho: os classificam em grupos de sucesso. Aos grupos de sucesso pertencem todos aqueles que de forma exemplar nos escalões da sociedade em suas empresas, obtiveram sucesso. Os presentes nestes grupos são intitulados de formadores de “superclasse” que em suas ações e labor: implementam peculiares níveis originais de status e riqueza. Estes grupos de sucesso constituem em seus inclusos as pessoas mais influentes do mundo. A sociologia americana destacou em seus procedimentos, o seu diferencial perante outros analistas da sociologia.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

POP FILOSOFIA


O filósofo é um estrangeiro em sua própria terra. A Grécia para ele é um rincão perdido em seus sonhos. A utopia da filosofia permanece viva na insistência em filosofar. Para ele o pensar é uma estranha fábula. Ele cria seus monstros, suas estórias, as fábulas, por exemplo, Hércules e sua túnica, Empédocles e as sandálias, Heráclito e Zeus jogando malha, assim como raciocina em como chegar à verdade, em ter clareza, em conhecer as forças da natureza...


O filósofo dá um crédito enorme à razão. Saber a razão de tudo que diz, do discurso que defende, a opinião que proclama – “o logos de onde fala...” A verdade da filosofia é uma batota por vezes, na boca de outros, de quem supõe o que seja filosofar. A filosofia é um crédito que abrimos a nós mesmos, a nossa individualidade, mas temos este discurso, para nos revelar: a filosofia ensinou a caminho que chega a nós mesmos. Não nos perdemos no labirinto de Teseu, nosso fio nem sempre é o caminho da convicção, mas o da permissão de prosseguir. É o que pedimos acanhadamente...


A vida moderna e atual é múltipla, o filósofo apresenta sua imagem, por vezes a do pensador, do professor, do poeta, mas isso é disfarce, máscara. O filósofo contracena, arma um teatro, monta um discurso, onde outros tomam voz. Vermos Sartre com sua prática Filosófica, através da literatura, com o escritor surgindo, a vida de pequeno burguês contestada, mas também a figura do crítico e revolucionário, que ele era, sua intelectualidade surgindo nas lutas eventuais, pelo ativismo político, nas ruas de paris. Enxergamos Foucault com a liberdade do pensamento, a favor do delírio, mostrando nos quadros de sua expressão, as disciplinas e o confinamento, a que fomos reduzidos, pelo aparelho “humanidades”. Poderemos ver em Barthes a literatura e a linguagem, surgindo inesgotável, para nosso prazer das lutas. A paixão do pensamento nas dobras do signo, numa linguagem amorosa, por vezes desperta para a sua tirania – a gramática. Nietzsche com seus grandes bigodes, na tentativa de esconder seu sorriso, aponta os artistas da violência, os poetas embriagados... Enfim, a Pop Filosofia é música e canção, é este gato que passa sorrateiro, nas sombras da noite, nos telhados da imaginação, mas também é fotografia, dos arranhas céus de qualquer metrópole, o urbano e denso que suportamos... A Pop Filosofia é uma canção de Belchior, ou do Kid Abelha, que colocam em pauta, a escritura, a análise, a educação. Muito de delírio, experimentação e este coração sangrando por uma pitada de liberdade e um pouco de imaginação.

domingo, 18 de setembro de 2011

Pós-escrito

A produção múltipla escrita, a função autor, o ofício de escritor através da experiência pessoal com gêneros variados, e também após adentrarmos realidades específicas distintas, modalidades, medindo as conseqüências e implicações, o que conseguimos e os efeitos, em suma, a amplitude desta ação, os agentes e atores, pessoas destacadas, para certos ofícios e nossas experimentações, objetivos e o conceito de livro-evento: tudo cristaliza em situações, conjunturas desejáveis e procuradas. O Evento Livro forma de conteúdo com significação ampla e geral. Denota estado de coisas realizável processado e instaurado – psicofísico[1]. O conteúdo da obra pretende expor ao leitor interessado a pergunta: se existem eventos psicofísicos. A filosofia do universo da escrita e do pensamento - filosofia da mente. Até que ponto existe uma literatura filosófica e sua importância para o evento-livro. Acontecimento singular. Especular a obra que seria um livro evento – acontecimento cultural e livresco. E sua importância para a carreira “acadêmica”. Qual seria a relação entre a ação humana e o corpo: a consequente cultura do livro, o pensamento e a mente. Uma crítica à filosofia contemporânea e sua linguagem. Propomos verificação de certas sentenças e proposições - afirmativas. A adequação do que vai pela mente e o mundo externo. A matriz do evento.


[1] Salientamos que não desconhecemos os nomes filosóficos Donald Davidson, Kim, Blaise Pascal e Richard Rorty. Embora nossas análises adquiriram sentido e direção bastante diferenciadas.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Discriminação

O livro a “Discriminação Negativa” de Robert Castel acerca de rebeldia de jovens das periferias de Paris em 2005, discorre sobre o fato de se proclamarem “Autóctones da República” e não cidadãos: pelo fato do Estado Francês ter falhado em suas políticas públicas quanto a este grupo e fatia social na região metropolitana. Apontam violência policial e discriminação negativa no que se refere à sua condição econômica. E pelo fato de sua grande maioria serem filhos de imigrantes de colônias francesas, e, certo racismo, por seu tipo físico. Há no livro manifestos e Rap para Marianne, estatísticas do governo francês, quanto à escolaridade, trabalhos exercidos e sua renda. O autor Robert Castel é muito lúcido e competente. Seu parecer político é favorável à esta luta desencadeada e indica mesmo haver questões raciais na frança e que deveria haver maiores informações estatísticas acerca deste fenômeno não só na frança, mas, em toda a Europa.